Não gosto dos amigos do meu filho, devo me meter?

10 de junho de 2020Marcia BelmiroCoaching para AdolescentesNenhum comentário

Quando os filhos são crianças, os pais os têm sob suas asas de proteção e cuidado: podem levá-los e buscá-los na escola, nas atividades extracurriculares e nos passeios. Além disso, na infância os filhos são naturalmente mais abertos a contar suas angústias e dificuldades, pedir ajuda quando têm medo, dividir descobertas e pensamentos com seus pais.

No entanto, tudo muda com a chegada da adolescência. Os filhos vão ganhando autonomia – benéfica e necessária a seu desenvolvimento – e passam a trocar menos com os pais. Nessa fase da vida, ocorre o processo de individuação do ser, e é comum que haja um afastamento das autoridades formais de modo a construir a própria personalidade.

Ao mesmo tempo, há uma tendência a se aproximar de outros jovens da mesma idade, com quem passam muito tempo, se abrem e trocam confidências. Esse movimento é natural e provavelmente vai durar alguns anos, até a fase adulta.

Embora quase todos os pais de hoje tenham passado por isso na própria adolescência, não é de se espantar que haja algum receio, especialmente sobre amigos que os pais não conhecem – ou pior, sobre os quais já têm informações de que praticam condutas inadequadas. O grande temor é como essas amizades podem influenciar no comportamento dos filhos.


Como agir? Confira aqui algumas orientações:

1) Quando se sentir desconfortável em relação a algum amigo do seu filho, em vez de usar frases como “esse garoto não presta”, “você não anda mais com fulano” ou “essa menina é má influência” – que provavelmente vão gerar o efeito oposto –, o ideal é ter honestidade emocional. Chamar o jovem para uma conversa franca é o que costuma trazer melhor resultado, falando sobre como se sente com relação a essa pessoa e os temores que você tem sobre ela agir para machucar seu filho.

2) Evite falar o que pensa do grupo de amigos de seu filho, o foco deve ser o bem-estar dele. De que maneira? Faça algumas perguntas sobre como costuma ser a forma de agir de determinado amigo, ajudando o filho a perceber se também já não teve alguma situação na qual essa pessoa agiu que não lhe agradou. Os pais, nessa conversa, terão como referência a conduta negativa que conhecem, sem acusações, mas ajudando o filho a ver o que porventura não esteja vendo.

Você pode provocar reflexão com perguntas como: “você se sente feliz com esse amigo?”; “acredita que ele faz bem a você?”; “vocês têm uma relação de parceria e apoio mútuo ou de disputa e humilhação?”.

3) Fazer-se presente é necessário, pois o adolescente capta em sua sensação emocional a falta de limites como falta de cuidado/amor. Em vez de acusações, fale de você, de suas necessidades não atendidas. Use frases como “me preocupa que você esteja dormindo tarde por ficar jogando on-line e tenha faltado à aula duas vezes na mesma semana porque não conseguiu acordar”; “gostaria de saber sempre que você vai a algum lugar depois da aula”; “preciso que você cumpra o horário combinado de voltar para casa no fim de semana”.

4) É claro que os amigos exercem influência sobre o adolescente – isso acontece até com os adultos –, mas essa influência também pode ser positiva. Mesmo que algumas pessoas à primeira vista pareçam ameaçadoras, é preciso que os pais façam um exercício de ampliar seu olhar e não se deixar levar pelas aparências – ou pior, pelos preconceitos (que todos temos).

5) Em vez de formar uma imagem errada dos amigos do seu filho, primeiro dê a si mesmo a oportunidade de conhecê-los melhor. Incentive o adolescente a trazer seu grupo para perto. Converse com eles – não para investigá-los, mas para dar um lugar seguro para se divertirem e para saberem que podem contar com você.

6) Amizades on-line: Na internet não se sabe quem está do outro lado, nem se é mesmo outro adolescente ou um adulto se passando por adolescente. Enquanto a relação se mantiver no plano virtual, o mais prudente é orientar explicitamente seu filho a ter cuidado e não compartilhar dados como nome da escola e bairro onde mora, nem fotos que possam facilitar a ação de pessoas mal-intencionadas.

7) E principalmente: Acredite nos valores e princípios que ensinou a seu filho; que esses aprendizados são mais fortes que a influência que outras pessoas possam ter sobre ele; e que seu adolescente é capaz de perceber o que lhe faz bem ou mal, e se afastar do que é negativo.

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Comentários

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