Durante a adolescência, o indivíduo passa da fase de ser cuidado para a de cuidar de si. Nessa etapa da vida, se os pais continuam a tomar conta do filho o tempo todo – resolvendo seus problemas escolares, interferindo no relacionamento com os amigos –, o jovem não consegue passar para a segunda fase (e, na idade adulta, atingir a terceira, que é cuidar do outro). Ao mesmo tempo, o adolescente ainda é dependente emocionalmente e juridicamente dos pais.

E aí, como encontrar o equilíbrio entre a superproteção e o abandono, de modo a ajudar seu filho a se desenvolver, tornando-se um adulto saudável, com confiança e autonomia?

Confira algumas orientações valiosas:

1) Diferenciar o seu desejo e curiosidade de saber sobre a vida de seu filho e a real necessidade de saber e intervir para ajudá-lo. Vamos esclarecer melhor essa diferença por meio do seguinte exemplo: sua filha começou a namorar e você quer que ela te conte o que está acontecendo. Se é apenas uma vontade de participar da vida dela, espere que chegue o momento em que a menina queira compartilhar isso. Mas se você percebe que ela está melancólica, que passou a se vestir de modo diferente ou parou de encontrar os amigos, talvez esteja em um relacionamento abusivo, e aí vale chamá-la para conversar.

2) Mesmo em situações em que os pais percebem que há algo errado e se preocupam, violar a privacidade do filho – mexendo em seu celular escondido, por exemplo – não é indicado, pois provoca quebra de confiança. O melhor é agir com honestidade emocional, falando de seus sentimentos e explicando por que precisam que ele conte determinadas coisas, com o objetivo de manter a própria segurança.

3) Troque o controle pelo cuidado. É necessário estabelecer regras de convivência em casa – desde que valham para todos os membros da família. Mas lembrando que o quarto do adolescente é seu refúgio, então pode ser necessário mantê-lo limpo e organizado, mas talvez a decoração desse espaço não combine com o restante da casa, e tudo bem.

4) Não fale sobre a vida íntima no adolescente em público – contando sobre as mudanças em seu corpo ou quem ele está namorando. Ao se sentir respeitado, é possível que fique mais à vontade para dizer o que sente.

5) Em relação à sexualidade, o diálogo pode ser difícil, mas é necessário. Talvez os pais não se sintam à vontade para falar sobre sexo com o filho, mas precisam sair da zona de conforto e orientá-lo, oferecerem escuta para as dúvidas e os dilemas, se mostrarem à disposição – sem julgamentos nem interferências excessivas. E a conversa deve ir além de DSTs e métodos contraceptivos, incluindo a importância do respeito e da responsabilidade afetiva com quem o jovem se relaciona.

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.