Na adolescência, o indivíduo passa da fase de ser cuidado para a de cuidar de si. Inclui-se aí a responsabilização pela rotina de higiene, sono, alimentação e vida ativa, até o uso correto de remédios prescritos pelo médico.

Carvalho et. al, no artigo “Autonomia do cuidado na perspectiva de viver saudável do adolescente”, explicam que esse caminho não é linear: “Diz-se que a puberdade é a maturação do corpo e a adolescência é a maturação do ser. Logo, isso pressupõe a possibilidade de ritmos diferenciados entre a parte biológica e a psíquica de cada um, o que implica uma certa imaturidade para a realização do autocuidado (Pigozzi, 2002).”

Apesar do afastamento que ocorre naturalmente entre os adolescentes e a família nesta etapa da vida, pesquisadores analisam a importância de o processo de transição do ser cuidado para o cuidar de si ser incentivado em casa, posto que a família é o primeiro núcleo social do qual o indivíduo faz parte, e no qual as relações estabelecidas são mais fortes. “É neste grupo social que são experienciadas as primeiras ações de cuidado, sendo, também, a partir deste grupo que as vivências sobre o cuidar se estabelecem consigo e com o outro. […] . O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais que envolvem a dimensão afetiva como dos cuidados com os aspetos biológicos do corpo.”

A importância da prevenção

No artigo “Prevenção primária em saúde na adolescência”, os autores analisam que “comportamentos de risco à saúde na adolescência podem ter um efeito duradouro no ciclo de vida levando à morbidade e mortalidade tardias (exemplo: na adolescência podem ter início práticas de abuso de álcool e fumo, o que contribui para o desenvolvimento de diversas doenças crônicas na meia-idade e na velhice)”. Por outro lado, “o desenvolvimento de comportamentos de proteção à saúde na adolescência pode também ter um efeito positivo duradouro nas etapas seguintes da vida”.

“Quando damos enfoque à manutenção da saúde, reduz-se muito a necessidade futura de tratamento de doenças. E isso é possível com orientações e monitoramento contínuo dos pais. A importância do modelo positivo também é enorme. Pesquisas mostram que famílias que comem bem juntas e se exercitam juntas são mais saudáveis”, exemplifica Flávio Mesquita, cocriador do método GrowCoaching e do programa de formação TeenCoaching.

Fontes:
“Autonomia do cuidado na perspectiva de viver saudável do adolescente”. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0874-02832011000200002

“Prevenção primária em saúde na adolescência”. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v14n3/a01v14n3

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.