Recentemente uma imagem do que seria o cérebro de uma mãe rodou as redes sociais. Ao lado da figura, diversas frases representavam os pensamentos maternos:

“É minha culpa?” ;“Devíamos organizar uma festa.”; “Quanto isso custa?”; “Precisamos de uma noite romântica.”; “Estou fazendo a coisa certa?”; “Eu deveria praticar o autocuidado.”; “Isso é bom para o desenvolvimento?”; “Férias em família criam memórias.”; “Estou sendo justa?”; “Preciso de tempo para mim mesma.”; “Como posso lidar com isso?”; “Atividades extracurriculares são boas para as crianças.”; “Estou cometendo um erro?”; “Preciso de um hobby só meu.”; “Estou fazendo o suficiente?”; “Sinto falta dos meus amigos.”; “Como posso fazer melhor?”; “Preciso dormir.”; “Por que eles crescem tão rápido?”; “Filhos custam caro.”

Essa imagem foi compartilhada incessantemente nos grupos de mães mundo afora, confirmando o que toda mulher que tem filhos sabe: seu cérebro não para. E um detalhe: em meio a tantas cobranças – internas e externas – não sobra tempo para pensar no que aconteceu de bom, em todas as suas conquistas, na mulher incrível que ela é. Esse sentimento de constante inadequação já tem até nome: síndrome da péssima mãe.

As mulheres-mães da sociedade atual se sentem pressionadas a dar conta das necessidades dos filhos, do companheiro e de si próprias, sem esquecer de que precisam se manter atléticas, bem informadas, felizes, plenas. Um objetivo digno da trilogia “Missão: impossível”, mas sem os efeitos especiais de Hollywood.

O resultado é, invariavelmente, frustrante. Essa decepção consigo mesma carrega culpa – por não sentir o amor incondicional que ela ouviu que sentiria, por em alguns dias estar tão cansada que não consegue aproveitar os momentos com as pessoas mais importantes para si, por às vezes ter raiva do filho.

Sobre isso, Marcia Belmiro analisa: “Quando sentir culpa fizer alguém ser uma mãe melhor, serei a primeira a apoiar. No entanto, o que vemos é que a mãe perde tempo alimentando a culpa por não ser a mãe perfeita, e isso a afasta cada vez mais da melhor mãe que pode ser. Ao contrário do que diz o senso comum, o instinto materno não existe, a conexão mãe-filho não é óbvia. Ao contrário, é uma relação que se desenvolve com o tempo, desde que a mulher tenha tranquilidade para se dedicar ao filho.”

O pediatra e psicanalista D. W. Winnicott postulou o conceito da mãe suficientemente boa, que vai na contramão dessa concepção idealizada da maternidade: “O ser humano é imperfeito, e espera-se que seja imperfeito na criação dos filhos. Esse ser humano imperfeito é incapaz de realizar todos os desejos da sua criança ou de cumprir os ideais de mãe que são impostos socialmente. Ter essa clareza fará com que se constitua uma personalidade da criança mais ajustada, com capacidade de lidar com as frustrações do mundo. O fato de a criança se frustrar com alguém que a ama (a mãe, no caso) dá a ela condições de entender que a frustração não é obrigatoriamente destrutiva, o que a prepara para o mundo. E compreender isso é libertador”, analisa Marcia Belmiro.

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.