Atualmente, fala-se muito de metodologias ativas de ensino como uma forma de potencializar o aprendizado dos estudantes, aumentando sua eficácia. Nesse contexto, as aulas dialogadas ganham destaque, em detrimento das tradicionais aulas expositivas – nas quais o foco é no professor, que explana o conteúdo enquanto a turma permanece ouvindo.

A aula dialogada é baseada em debates, projetos de pesquisa e estudos de caso. Nela, o professor atua como mediador, utilizando o conhecimento e a vivência dos alunos como parte integrante do processo de educar.

A aula expositiva – que historicamente tem foco exclusivo em desempenho nas avaliações e respostas corretas, sem levar em conta o processo – hoje em dia é malvista por uma parcela dos estudiosos do assunto. Outros, no entanto, defendem que há momentos em que é desejável e até necessária (ex.: para introduzir um tema, sintetizar conceitualmente o que foi trabalhado na prática ou relacionar temas já aprendidos a um novo assunto, contextualizando-o).


Sem cair na dicotomia bom/mau

Nem a aula expositiva é a vilã, tampouco a aula dialogada é a solução de todos os problemas educacionais. Até porque o professor, caso não esteja bem preparado para essa mudança tão grande de mindset, pode abrir espaço para a participação dos alunos, mas de uma forma improdutiva, rechaçando as opiniões contrárias ou aqueles alunos mais questionadores. Ou até dando voz aos estudantes, mas na hora da prova acabar cobrando apenas a matéria decorada, sem reflexão real sobre o conteúdo.

Cabe ao professor definir em quais momentos a aula expositiva será mais útil, e também o tempo que esse tipo de aula vai durar. Isso depende de vários fatores, como a idade dos alunos – neurologicamente, uma criança tem menos capacidade de se concentrar por longos períodos do que um jovem de ensino médio, por exemplo –, e de como aquele grupo específico se conecta melhor.

Sabrina Oliveira, cocriadora do Método GrowCoaching e especialista em estratégias de estudo ativo, analisa a questão: “A aula dialogada exige que o professor saia da zona de conforto para propiciar uma comunicação eficaz, ajudando os alunos a colocar o conhecimento em prática, e sempre direcionando-os a uma aprendizagem mais efetiva. O desafio é o planejamento, de modo que o professor saiba lidar com a participação/interferência dos alunos sem, contudo, deixar de conduzir a turma, que é seu papel como líder.”


Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.