Longe de ser um ato de crianças sem maiores consequências, o bullying vem ganhando espaço nas políticas públicas e em pesquisas científicas. O 20 de outubro foi definido como o dia mundial de combate ao bullying, e no Brasil desde 2015 uma lei obriga escolas e clubes a adotarem medidas de prevenção e combate a essa prática. Um estudo publicado na revista científica Lancet Psychiatry afirma que sofrer bullying dos colegas na infância pode causar mais sofrimento e danos na saúde mental das vítimas do que maus-tratos vindos dos adultos.

Muito se fala sobre como reconhecer quando a criança é vítima de humilhações e discriminação sistemática, mas neste artigo vamos orientar os pais a perceberem quando seu filho é quem pratica o bullying.

Veja a seguir alguns comportamentos da criança que devem chamar a atenção dos pais:

1) Faz com frequência comentários agressivos ou depreciativos sobre os colegas. Ex.: “Não falo com fulano porque ele é burro (ou feio, ou pobre)”;

2) Nas interações com outras crianças, as subjuga, impondo brincadeiras em que os demais sempre têm papéis de inferioridade. Ex.: “Eu sou o rei e você é o cavalo”;

3) Usa barganhas e chantagens para conseguir o que deseja. Ex.: “Só faço isso se você…”, “Se você não fizer tal coisa, então eu…”;

4) Tem comportamentos de baixa autoconfiança mascarada por excesso de autossuficiência. Ex.: “Eu sei tudo”, “Não precisa me explicar isso”;

5) Relata ser perseguido pelos professores, manipulando situações a seu favor.

 

É impossível garantir que determinados comportamentos sejam relacionados à prática de bullying, mas estes são indicadores de que é preciso atenção dos pais. Caso você perceba em seu filho sinais de que algo não vai bem, converse francamente com ele, fazendo boas perguntas.

Confira algumas sugestões de como introduzir o assunto, tiradas do livro Como criar crianças gentis (e ter uma família mais feliz):

– Que tipo de comportamentos você tem presenciado na escola?
– Como os alunos tratam uns aos outros?
– O que cada um de nós pode fazer para demonstrar respeito quando discordamos de alguém?

 

É importante lembrar que quem pratica bullying não é “do mal” ou que este é um caminho sem volta. Em geral, são comportamentos que a criança encontra para se relacionar com os outros, mas de uma forma disfuncional, desajustada inadequada.

Isso não significa que os pais podem minimizar a situação, agindo como se estivesse tudo bem, mas ajudando o filho a perceber os danos que está causando nos colegas e definir junto com ele de que forma pode repará-los (ex.: pedindo desculpas sinceramente, conscientizando os outros que praticam bullying sobre sua conduta errada, pedindo ajuda da escola para conduzir a questão institucionalmente) – o que é bem diferente de usar medidas punitivas, como castigos e retirada de direitos, que podem gerar ainda mais revolta e contribuir para a manutenção do quadro.

 

Fontes:

Como criar crianças gentis (e ter uma família mais feliz). Thomas Lickona. Lisboa: Arena, 2019.

“Adult mental health consequences of peer bullying and maltreatment in childhood: two cohorts in two countries”. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(15)00165-0/fulltext

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.