De um dia para o outro – literalmente –, os professores tiveram que aprender a preparar e dar aulas on-line durante a quarentena. Na prática, essa mudança brusca gerou uma frustração coletiva: alunos, famílias e os próprios professores veem a realidade do ensino virtual bem distante de suas expectativas. Diante disso, os educadores relatam se sentirem confusos quanto a que rumo tomar para engajar os estudantes e, com isso, cumprir o cronograma necessário.

Não existe uma resposta pronta a essa questão. As pessoas têm formas diferentes de encarar as dificuldades que se apresentam. Ou seja, o que motiva muito um aluno pode desestimular outro na mesma medida. A chave, aqui, é sair dos padrões antigos e limitantes, até porque a situação de pandemia na qual vivemos atualmente não tem paralelo com qualquer outra na sociedade atual.

Quando as coisas saem do script planejado, os adultos tendem a se apressar a dar uma solução, com o objetivo de evitar que crianças e adolescentes se sintam perdidos. No entanto, experienciar o caos pode ser assustador, sim, mas também grandemente enriquecedor para esses jovens.

Se, em vez disso, o professor der a oportunidade aos alunos de resolverem em conjunto a situação desafiadora que se apresenta, é provável que se surpreenda positivamente com as ideias que surgirão, com o maior engajamento por parte dos estudantes e até com o fortalecimento do senso de comunidade do grupo.

Confira aqui algumas orientações para aumentar o comprometimento dos alunos nas aulas a distância:

  1. Reúna a turma e faça boas perguntas do tipo: “Levando em conta que as atividades tais precisam ser feitas, como vocês acham que poderíamos tornar isso mais divertido?”
  2. Ouça verdadeiramente o que os alunos têm a dizer, sem pré-conceitos sobre o que seria “normal”, nem comparar com o que era dar aula na escola, presencialmente. Ex.: Alguém sugere que todos os dias os cinco primeiros minutos de aula on-line vão ser usados para o grupo interagir, brincar e conversar, e que depois todos vão focar a atenção no conteúdo a ser dado. Antes de pensar “por que aceitar?”, pense “por que não?”.
  3. Cuidado para não propor nem aceitar barganhas, do tipo “se ao fim de um mês a turma cumprir o combinado, todos vão ganhar 0,5 ponto na média”. Esse tipo de acordo passa a ideia para os alunos de que só vale a pena fazer o que é certo se houver algum ganho com isso. Ao contrário, deixe que eles se apoderem dos combinados e se empenhem em fazê-los dar certo simplesmente porque isso vai ser bom para todos.

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.