Cabo de guerra em sala de aula?

Há tempos houve o “destronamento” do professor. Isso significa que por um lado ele não é mais soberano em sala de aula, com poder de determinar, julgar e castigar (inclusive fisicamente) os alunos. Por outro lado, houve uma desvalorização da importância deste profissional em nossa sociedade — o Brasil ficou em último lugar no ranking do Índice Global de Status de Professores 2018, elaborado pela Varkey Foundation.

Não é possível voltar no tempo, nem adianta ficar preso ao saudosismo. A relação baseada em poder — na bronca, na ameaça, no castigo, na obediência cega — não funciona mais. O profissional da educação de hoje necessita construir outro tipo de relação com os alunos. A influência em sala de aula, se exercida de maneira positiva, pode fazer do professor um líder verdadeiro (aqui me refiro ao conceito de liderança de Daniel Goleman, baseado na inteligência emocional).

O professor como eterno aprendiz

Paulo Freire, patrono da educação brasileira, reflete em seu Pedagogia da autonomia: “O professor que desrespeita a curiosidade do educando, […] que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que ‘ele se ponha em seu lugar’ ao mais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, […] transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência.”

Em Paulo Freire, o menino que lia o mundo, os autores Carlos Rodrigues Brandão e ‎Ana Maria Araújo Freire reforçam a crença de Paulo Freire de que “em todo professor mora um eterno aluno, um eterno estudante e um eterno aprendiz”.

É exatamente isso que entendemos no Kids Coaching: professores e alunos aprendem e ensinam na mesma medida, de acordo com seus saberes próprios. O saber é construído em conjunto, substituindo o conceito de hierarquia pelo de parceria.

Educação imparcial existe?

Muito se fala atualmente sobre doutrinação ideológica por parte dos professores. Aqui, mais vez uma recorremos a Paulo Freire: “Não existe imparcialidade. Todos são orientados por uma base ideológica. A questão é: sua base ideológica é inclusiva ou excludente?”

Entendemos que, mesmo inconscientemente, a fala é sempre carregada de nossos princípios e valores. O problema é quando o professor diz o que acredita e não aceita o ponto de vista do outro. No Kids Coaching, estimulamos o diálogo saudável, pois acreditamos que só ele gera tolerância, reflexão e mudança verdadeiras em qualquer relação.

 

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.