Quando uma mulher fica grávida, geralmente deseja (mesmo que em segredo) ter um filho “bonzinho”: aquele que já nasce dormindo a noite toda, que empresta os brinquedos no parquinho, que obedece sempre a mãe. Só falta completar: “Que sensata você é, mamãe. Vejo claramente que receber limites é importante.” Bem, segundo esses parâmetros, é quase impossível ter o filho bonzinho. “Mas a filha da fulana é um anjo”, alguém sempre rebate. Será que essa menina é mesmo assim? Ou será que ela entendeu que só agindo dessa forma será amada?

Esta questão tem diversas camadas, vamos por partes:

Filho idealizado x filho real

O filho real – aquele que te acorda à noite com pesadelo, que faz perguntas sobre tudo quando você tem mil coisas a resolver, cuja professora te chama sempre na escola – provavelmente não estava nos seus planos, mas certamente é uma grande oportunidade de aprendizado para você. A criança que pensa por si mesma, em vez de ser uma xerox dos pais, tira os adultos da zona de conforto, fazendo com que revejam conceitos e pré-conceitos, aceitem críticas e se empenhem a melhorar como pais e seres humanos.

O poder do rótulo

Pense na sua própria infância. Você recebeu algum rótulo? Pode reparar: a criança “brava” em geral se torna o adulto “esquentado”; a “boazinha” cresce sem saber dizer não, e por aí vai – mesmo os rótulos ditos positivos são prejudiciais. Você quer seu filho preso a uma “caixinha”? Então que tal trocar o elogio pelo encorajamento? Em vez de “você é incrível”, que tal “sempre que você se esforça muito por alguma coisa, alcança seu objetivo”? Ou em vez de “você não me dá trabalho nenhum”, “hoje passamos o dia na rua e você, mesmo cansado, foi um grande parceiro”?

Como lidar com o filho “difícil”?

Em geral, a pessoa – criança ou adulto – que reage a tudo tem alguma necessidade não atendida. Qual será a do seu filho? Ele pode precisar de tempo para perguntar sobre uma situação que não entendeu, pode precisar conversar sobre seus medos, ou não está sabendo lidar com alguma situação na escola. “Os pais podem estimular a expressão do filho ouvindo-o verdadeiramente, ajudando-o a perceber seus sentimentos e emoções, a entender as consequências de seus atos e a aprender a se posicionar no mundo”, analisa Marcia Belmiro.

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.