Cedo ou tarde, este pedido sempre acontece: “Mãe, posso ter um bichinho?”

Para quem vive uma rotina corrida, “equilibrando pratinhos” de contas a pagar, falta de tempo e todas as inúmeras demandas incluídas no pacote da maternidade, essa pergunta pode parecer totalmente despropositada. No entanto, vale a pena reconsiderar – não só pela alegria dos pequenos, mas pelos benefícios para toda a família de ter um animal de estimação.

O pediatra Daniel Becker analisa esses benefícios: “O contato com a natureza é importante para a criança ver que não vive sozinha no mundo e que depende dos outros seres, como as plantas e os animais, para viver.”

Os animais (seja cachorro, gato, tartaruga, porquinho da índia) têm importância afetiva para todos os indivíduos, crianças e adultos. Para os pequenos, os bichos são companheiros de brincadeiras e também de elaborações das questões infantis. O vínculo com um ser vivo não humano é importante pois melhora as relações das crianças com outras pessoas.

O contato com animais pode até ser terapêutico, especialmente no caso de autismo e outras atipicidades. Isso acontece porque há uma transição daquele relacionamento bem-sucedido – posto que é espontâneo, sem hierarquias ou obrigações – para os outros relacionamentos da vida daquela criança.

Todas as crianças se beneficiam com o convívio de um pet, pois tomam o animal como confidente e companheiro, e ainda aprendem a cuidar de outro ser – lembrando sempre que a responsabilidade principal dos cuidados (como idas ao veterinário e vacinações) é dos adultos.

Aprendendo a lidar com perdas

Os animais também auxiliam as crianças quando o assunto é finitude. Levando em conta que cães e gatos vivem entre 15 e 18 anos, em média, para muitas crianças a morte do bicho de estimação é a primeira perda significativa da vida.

No artigo “Convivência com animais de estimação: um estudo fenomenológico”, os autores citam Tatibana e Costa-Val (2009) ao afirmar que “crianças que convivem com animais de estimação se tornam mais afetivas, solidárias, sensíveis, com maior senso de responsabilidade, e compreendem melhor o ciclo vida-morte”.

Ao contrário do que muitos pais e mães pensam, apesar de triste esta é uma circunstância que leva a um grande aprendizado infantil, no sentido de mostrar aos pequenos que a morte é inevitável e intrínseca à vida, sendo algo natural.

Fontes:

“Convivência com animais de estimação: um estudo fenomenológico”. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-68672016000100007

“A importância dos animais de estimação para crianças”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=An6WhKEHSRc

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.