Existe uma associação do senso comum de que debate é sinônimo de briga. Mas, se bem conduzido, o debate em sala de aula pode ser um bom exercício de pensamento lógico e vivência democrática. Além disso, está diretamente relacionado a cinco das competências gerais da educação básica, definidas pela BNCC:

1 – Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.

2 – Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.

7 – Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.

8 – Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.

9 – Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.


Confira abaixo algumas orientações para promover um debate formal em sala de aula:

a) Definição do tema. Uma opção é oferecer uma lista de temas pré-definidos para os alunos escolherem. Ou então quem quiser dá sua sugestão, e depois a turma vota para escolher o assunto a ser debatido.

b) Regras para o tema. Dependendo da disciplina, funciona melhor quando o tema tem a ver com a matéria dada (ex.: biologia), mas em uma aula de filosofia, por exemplo, é possível abranger mais assuntos (como política, direitos humanos etc.). Pode ser também um tema do cotidiano dos alunos (ex.: bullying, uso do celular em sala de aula). O ideal é que seja um assunto que possa ser defendido com argumentos racionais, sem apelar para a opinião pessoal ou a retórica vazia.

c) Combinados para o debate. Definir previamente regras e combinados (ex.: tempo de fala de cada participante, de que maneira lidar caso o debate fique acalorado, e quais comportamentos são inaceitáveis, como ofensas e ataques pessoais). Dessa forma, os alunos vão entender que o debate é um espaço seguro, no qual poderão se manifestar sem receios.

d) Preparação. Dê um tempo para que os alunos se preparem previamente, pesquisando e conversando dentro de cada grupo sobre o assunto a ser discutido.

e) Avaliação. Após o debate, avaliem juntos os pontos positivos e negativos do debate, o que houve de aprendizado e o que pode ser melhor da próxima vez.








Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.