Hoje em dia, as pessoas vivem mais e melhor. Com mais tempo e qualidade de vida, é natural que aflorem novas aspirações e interesses profissionais na maturidade. Por outro lado, em geral nessa fase as responsabilidades financeiras são grandes: escola dos filhos, financiamento da casa própria etc. Existe ainda o medo de falhar, de não ter disposição suficiente para encarar novos desafios.

Surge, então, o grande questionamento: É muito tarde para mudar de carreira?

Se você está sentindo o chamado para fazer uma transição de carreira, mas ainda não tomou coragem de dar o primeiro passo, este artigo pode ajudar.

Em primeiro lugar, é importante pensar: “Por quanto tempo mais pretendo trabalhar?” Por exemplo, se a pessoa tem 40 anos, dificilmente vai se aposentar antes dos 60. Nesse caso, vale a pena passar mais 20 anos em uma profissão que não traz mais satisfação? Nesse tempo, o quanto você ainda pode contribuir para sua família, para a sociedade em geral e para si mesmo?


Momento de decisão

Decidir mudar o rumo profissional pode ser frustrante, e gerar até um sentimento de “o que eu fiz com a minha vida?”, como se tudo até hoje tivesse sido um erro. Isso é comum quando se trata de projetos para os quais nos empenhamos muito durante um tempo considerável.

No entanto, nós, seres humanos, estamos em constante evolução, e algo que fazia sentido há anos pode ter deixado de fazer (e tudo bem). Não é preciso sustentar uma decisão tomada aos 18 anos pelo resto da vida, como se fosse uma sina. Afinal, o quanto você sabia de si naquela época e o quanto sabe hoje? É possível honrar seu passado e mesmo assim desejar mudar.


Mudança na prática

A transição de carreira na maturidade precisa ser bem pensada e estruturada, inclusive financeiramente, para não gerar ansiedade nem arrependimento depois. O principal é que seja baseada em princípios e valores, não em uma suposta oportunidade incrível ou um modismo, que daqui a pouco não vai ser mais atraente.

O ideal é definir metas específicas com prazos para cumpri-las. E, no processo de transição, guardar dinheiro para o início da nova carreira, que provavelmente vai demorar um pouco para engrenar.

Esta, aliás, é uma das grandes vantagens de promover mudanças depois de uma certa idade: saber que os objetivos não precisam ser alcançados do dia para a noite, a qualquer preço, e que obter bons resultados demanda tempo e dedicação.

É normal aparecer uma insegurança, do tipo “será que ainda consigo aprender coisas novas?”, “será que o mercado vai me absorver?”. Quando perceber esse tipo de pensamento sabotador, lembre-se do quanto é capaz, e de tantas conquistas que já obteve na carreira atual. Inclusive há mais chances de obter sucesso agora, já que esta decisão foi ainda mais pensada e planejada.


Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.