O ensino híbrido, ou blended learning, tem como premissa a integração entre ensino presencial e on-line, de forma a aproveitar o que há de melhor em ambos. De modo geral, na etapa on-line o aluno faz pesquisas e assiste a vídeos. Na etapa presencial, recebe informações do professor e discute com os colegas. Mas não se restringe a isso, sendo necessária uma grande mudança de mentalidade sobre o que é o ensino, qual o papel do professor e qual o dos alunos.

Existe desde a década de 1990 nos Estados Unidos, tendo iniciado nas universidades. No Brasil, o caminho foi parecido: começou a ser posto em prática no ensino superior, mas só bem recentemente tem se popularizado na educação básica. Segundo a estudiosa do tema Lilian Bacich, essa metodologia parte do princípio de que os alunos não aprendem todos da mesma forma. Sendo assim, a forma de ensinar também não é eficaz se for igual para todos. De acordo com Lilian, a palavra-chave do ensino híbrido é a personalização.


Integração de papéis

A ideia é mudar a lógica do professor como transmissor de conhecimento e do aluno como agente passivo no processo, integrando esses dois papéis. Lilian e sua equipe fazem grupos de experimentação em escolas no Brasil desde 2014, com resultados satisfatórios – levando em conta não só a melhora no desempenho acadêmico, mas também o fato de propiciar um aprendizado integral às crianças e aos adolescentes, contemplando as chamadas soft skills.

Os estudiosos do ensino híbrido relatam que, de maneira geral, os professores têm o desejo de inovar, mas o desafio para ampliar a proposta, especialmente na rede pública de nosso país, é a falta de infraestrutura tecnológica.


Ferramentas usadas

Nessa metodologia, é comum o uso de ferramentas como a sala de aula invertida, a rotação de estações – em que os alunos se dividem em grupos e, por exemplo, enquanto um está no laboratório de informática pesquisando, o outro está em sala de aula fazendo um debate –, e o problem based learning (traduzindo, aprendizagem baseada em problemas): o professor propõe uma situação e os alunos devem fazer pesquisas para encontrar a resposta para o desafio.

O ensino híbrido é uma adequação do ensino à realidade do século XXI, indo ao encontro das metodologias ativas de aprendizado. É uma das grandes tendências educacionais atualmente. Para que seja eficaz, é importante que o professor direcione a turma, indicando fontes de informação confiáveis, sites conceituados. Porque se o aluno entra no Google e faz uma pesquisa sem ter um direcionamento, se depara com um mundo de informações – às vezes superficiais, outras vezes até contraditórias – e pode acabar se perdendo”, alerta Sabrina Oliveira.

Fontes:

Livro Ensino híbrido: personalização e tecnologia da educação. Bacich, Lilian et al. 

Vídeo “Lilian Bacich fala sobre ensino híbrido”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VFk_EFMWv10


Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.