Infelizmente esta cena ainda é comum: quando há uma criança atípica na escola, no parque ou na piscina do condomínio, em geral os outros meninos e meninas reagem com medo ou com pena, quando simplesmente não saem de perto. Os estudiosos e ativistas da inclusão defendem que, se houvesse maior integração entre crianças de desenvolvimento típico e atípico, essa relação seria mais natural – e, consequentemente, traria benefícios para todos.

Essa reflexão está alinhada à pesquisa “O que a população brasileira pensa sobre a educação inclusiva”, realizada em 2019 numa parceria entre o Datafolha e o Instituto Alana. De acordo com o estudo, aqueles que convivem com pessoas com deficiência têm atitude mais favorável em relação à inclusão.

 

Outros dados da pesquisa:

– Aproximadamente 10% dos brasileiros têm alguma deficiência;

– 86% dos entrevistados concordam que as escolas de tornam melhores ao incluir crianças com deficiência;

– 76% acreditam que crianças com deficiência aprendem mais estudando com crianças sem deficiência;

– 87% dos pais de crianças com deficiência têm medo que seus filhos sofram preconceito na escola;

– 26% das crianças de 0 a 14 anos com deficiência estão fora da escola.

 

Andrea Werner, jornalista, escritora e ativista da inclusão, defende que a legislação do Brasil para pessoas com deficiência é das mais avançadas do mundo, mas não é cumprida. De acordo com o Art. 208 da Constituição, é obrigatório o “atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”. O Estatuto da Criança e do Adolescente também aborda isso em seu Capítulo IV.

A Lei 12.764, de 2012, estabelece multa ao gestor escolar que se recusar a matricular um aluno com deficiência; dá direito a acompanhante especializado em caso de comprovada necessidade, pago pela escola; e determina incentivo à formação e capacitação de profissionais, pais e responsáveis. “Mas, na prática, as escolas recusam matrícula, cobram dos pais o valor gasto com o acompanhante, não capacitam os professores, não incluem de fato a criança nas aulas”, analisa Andrea.

“Deficiência não é doença”

Lau Patrón, também escritora e ativista da inclusão, fala sobre seu filho: “A deficiência faz parte de quem ele é, mas não o define. Meu filho adora a cadeira de rodas, é sua forma de navegar pelo mundo. Deficiência não é doença, é uma condição. Não precisa de cura. É a sociedade, é a estrutura que está doente. O problema é o restaurante que não tem rampa. Por que as pessoas continuam olhando como se meu filho fosse o problema?”

Andrea e Lau defendem que as mães de filhos atípicos não são heroínas, como se costuma pensar, tampouco dignas de pena. “A ‘mãe especial’ tem menos saúde e é tão estressada quanto um soldado na guerra”, relata Andrea.

Educação não é simplesmente passar o conteúdo, é ensinar a pensar o mundo. Se há crianças que aprendem de uma forma diferente, é necessário fazer adaptações para que, numa escola inclusiva, o aprendizado de todos seja possível – lembrando que este é um direito de toda criança. “Inclusão é capacitar, é promover mudança cultural. Desejamos um mundo mais justo para nossos filhos, mas nosso discurso não é alinhado à prática. Esse mundo que desejamos necessariamente tem de ser partilhado por todos, típicos e atípicos, de acordo com suas necessidades”, define Andrea.

 

Fontes:

Pesquisa “O que a população brasileira pensa sobre a educação inclusiva”. Disponível em: https://alana.org.br/pesquisa-datafolha-educacao-inclusiva

“Inclusão escolar e social: Por que é importante?”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=j06XUSy0UlE

“Existe mesmo inclusão escolar no Brasil?”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FpevhDR6hks

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.