A liderança organizacional, como competência vivenciada e desenvolvida na esfera do ambiente corporativo, diz menos respeito ao gerenciamento da complexidade, mas sobretudo ao gerenciamento da mudança, segundo o professor John Kotter, da Harvard Business School. Neste sentido, líderes precisam desafiar o status quo, criando visões de futuro e inspirando os membros da organização a desejar realizar, de forma prática, estas visões. Mas ao mesmo tempo, precisam ser gestores capazes de elaborar planos detalhados e gerir as operações diárias dos negócios, como defende Robbins em seu sempre atual livro Comportamento Organizacional.

A Liderança Organizacional deve preconizar a relação de influência entre líder, liderado e a situação específica, em torno de um objetivo de grau superior.

Este aparente dualismo de enfoque sobrevive em um atual cenário corporativo caracterizado pelo ritmo acelerado com que as mudanças acontecem (volatilidade), pelos riscos derivados das decisões (incertezas), pela ausência de linearidade das interações (complexidade), e, ainda pela gama de possíveis interpretações dos fenômenos (ambiguidade). Este é o ambiente VUCA – acrônimo americano com origem nas atividades militares que tenta explicar o cenário de hoje. Junta-se a isto o componente político, que tempera o exercício das atividades não requeridas no formalismo cotidiano, mas que influencia e ocupa espaço na organização (Farell e Petersen, 2015).

O líder organizacional deve sobreviver com galhardia neste contexto situacional. Deve aumentar o seu repertório de comportamentos e atitudes em torno das relações, exercitando suas habilidades sociais e explorando suas competências comportamentais.

Alguns papéis, neste sentido merecem destaque:

  1. líder-facilitador: trabalhar em equipe é um adequado casamento com este novo ambiente, em função de que poucas tarefas podem ser exercidas individualmente e a contribuição coletiva se mostra mais efetiva. Deste modo, o exercício da liderança vem acontecendo cada vez mais no contexto das equipes. O papel de líder de equipe é de ser um facilitador na gestão dos processos, suportando mais e comandando menos, ensejando a confiança e a capacitação técnica de cada membro.
  2. líder-democrático: ser um tomador democrático de decisão resulta em conceder liberdade de manifestação e estar aberto a múltiplos pontos de vista, fomentam uma atmosfera de colaboração e inserção social, de modo a facilitar a aceitação das decisões e sua realização efetiva. O uso da intuição para questionar a racionalidade da decisão é inteligente. Aplicar táticas de persuasão racional para validar a intuição é igualmente exemplar.
  3. líder-comunicador: trabalhar a comunicação com enfoque no interlocutor, de forma a otimizar sua compreensão e ainda praticar a escuta ativa, sem rompantes, identificando os sentimentos por detrás do orador e atento às pistas do ambiente, darão sabor à manifestação autêntica da liderança.
  4. líder-coach: exercitar a arte de fazer perguntas certas de modo a suportar a equipe na correta identificação do problema e no elenco de alternativas é um fator crítico de sucesso para se transitar com fluidez pelos desafios impostos pelo ambiente em constante mudança. Assegurar que o caminho seja descoberto pelo liderado cria uma nova força motora à equipe. O atual ambiente transformações exige do líder a maturidade equilibrada para desenvolver o capital humano, elevando a massa de competências distribuída ao redor das equipes. A metodologia do Coaching é exemplar neste contexto.

O líder interessado em desenvolver sua competência de forma a estar aderente às novas regras deste jogo corporativo deve focar o aprimoramento destes 4 papéis. E como fazer isto, na prática? Aceite as designações e os desafios que se apresentem, sem se afugentar; Observe outros modelos de liderança e adote outros padrões comportamentais; Supere as dificuldades, aprendendo rapidamente com os fracassos; Atualize-se, em programas de educação formal, continuamente.

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Renato Cuenca
Renato Cuenca

MSc, Coach Executivo, Professor Universitário e Consultor em Gestão e Relacionamentos Consumeristas