Quando um casal decide se separar, frequentemente a maior preocupação é com os filhos: Será que vão ficar bem? Como dar a notícia a eles? A apreensão é justificada, especialmente quando se trata de crianças, que não têm entendimento total da situação e podem sofrer grandes prejuízos com o divórcio, inclusive em seu desenvolvimento a longo prazo. No entanto, os especialistas são unânimes em afirmar que é melhor ter pais separados do que um lar de brigas constantes e desarmonia. 

Com frequência, os adultos que passam por um processo de divórcio buscam evitar que o fim da relação afete as crianças. No entanto, infelizmente isso é impossível, assim como é irreal dizer aos pequenos que nada vai mudar. Mesmo quando os pais agem com todo o cuidado e responsabilidade emocional, algumas coisas serão alteradas. Por exemplo, não é possível que a família continue a morar junta, na mesma casa, após a separação, e consequentemente a rotina da criança vai mudar bastante. 

A rotina, aliás, é um ponto importante. Saber o que vai acontecer ao longo do dia, ou como será a semana, é importante para o equilíbrio psíquico de qualquer criança. No caso de um divórcio, quanto mais rápido a nova rotina for implantada e explicada para a criança, melhor será sua adaptação. Facilita muito se a criança puder fazer pequenas escolhas nesse novo dia a dia, com a criação de regras e combinados em conjunto com os pais. 

É normal a criança regredir?

Mesmo numa separação amigável, é comum que as crianças reajam com comportamentos de ansiedade, agressividade e até regressão (ex.: voltar a chupar chupeta, ou pedir para dormir no quarto da mãe), como uma forma de voltar a sentir a segurança do tempo que era bebê. De modo geral isso é uma fase que passa depois de algum tempo – desde que as crianças se sintam apoiadas em sua dor. Quando o processo acontece de uma forma positiva, os filhos voltam a se sentir seguros emocionalmente, e a relação destes com o pai e a mãe pode até melhorar, posto que não há mais a relação de casal conflituosa. 

Conjugalidade e parentalidade

No artigo “Casamento contemporâneo: O difícil convívio da individualidade com a conjugalidade”, Terezinha Feres-Carneiro analisa: “Quem se separa é o par amoroso, o casal conjugal. O casal parental continuará para sempre com as funções de cuidar, de proteger e de prover as necessidades materiais e afetivas dos filhos. […] Costumo afirmar que o pior conflito que os filhos podem vivenciar, na situação da separação dos pais, é o conflito de lealdade exclusiva, quando exigida por um ou por ambos os pais.”

A pesquisadora relata uma situação rotineira, quando os pais têm dificuldade de se distanciar da própria dor para olhar para a dor do filho. Quando fazer esse movimento de distinguir a conjugalidade da parentalidade é difícil para os pais (um deles ou ambos), o ideal é buscar a ajuda de um psicólogo, de modo a elaborar a situação para si mesmos e conseguirem evitar transferir suas dificuldades em relação ao ex-parceiro para a criança, ou de contaminar a percepção do pequeno com as próprias opiniões sobre o pai ou a mãe dele.

Quando uma criança ouve a mãe falar mal do pai (ou vice-versa), pode haver duas consequências: ou ela cria rancor de quem está falando ou se afasta do objeto das críticas. Ainda que o adulto esteja coberto de razão, esse tipo de atitude não vai ajudar em nada a criança”, considera Marcia Belmiro.

Uma forma essencial de dar suporte à criança cujos pais estão se separando é dar espaço para que ela possa falar sobre seus sentimentos e pensamentos, sem ser repreendida por se expor, mas ao contrário sendo acolhida com respeito e empatia. A criança precisa ter claro, por meio de palavras e ações dos adultos cuidadores, que ela continua a ser amada e protegida pelos pais. Isso, no entanto, não tem nada a ver com tentar recompensá-la com presentes ou bens materiais – que podem trazer uma reação imediata de alegria, mas que não se sustenta a longo prazo.   

Fonte:

“Casamento contemporâneo: O difícil convívio da individualidade com a conjugalidade”. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/26362078_Casamento_contemporaneo_o_dificil_convivio_da_individualidade_com_a_conjugalidade








Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.