Todos os anos, há muitas gerações, adolescentes ao redor do mundo definem seu futuro profissional. No entanto, atualmente um fenômeno está alterando esse processo de maneira profunda. Um relatório divulgado pela Dell recentemente mostra que, na próxima década, todas as organizações e os negócios serão baseados em tecnologia, exigindo que as empresas repensem os modelos atuais de infraestrutura e formas de trabalho. Entre as conclusões, o estudo prevê que, graças ao avanço tecnológico, até 2030 aproximadamente 85% das profissões serão novas, ou seja, ainda nem foram inventadas.

Isso significa que a forma de fazer a escolha profissional também deve ser alterada. Até porque pesquisas mostram que, em pouco tempo, será normal que um mesmo profissional atue em três carreiras – em áreas diferentes – ao longo da vida produtiva, ou até concomitantemente. Diante disso, se faz necessário desaprender, conceito cada vez mais necessário no âmbito educacional; ou seja, mudar verdadeiramente o mindset, descobrindo formas novas e mais eficazes de aprender, adaptadas à nova conjuntura.

O papel dos pais neste momento crucial da vida do jovem é enorme. E este papel, como todas as outras variáveis deste cenário, também precisa ser revisto. Os pais, mais do que nunca, não podem determinar a faculdade que o filho vai seguir tomando como base seus próprios desejos. Sua função como mentores é de trocar pontos de vista e percepções com o filho, auxiliando-o a pensar, ouvindo-o e entendendo o que é uma demanda dele e o que vem externamente, da sociedade (sabendo que as demandas de fora, “as profissões do momento”, mudam cada vez mais rapidamente).

A partir do 1º ano do ensino médio, os pais podem iniciar esse diálogo. Tendo em mente as imensas diferenças entre a época em que prestaram vestibular e o momento atual (ex.: informação escassa x informação abundante; estudo pela enciclopédia x estudo multimídia), sabemos hoje que o que define a escolha profissional são as habilidades individuais, não mais a tradição, e que esse passo deve ser dado com autorresponsabilidade, mas sabendo que os pais serão parceiros nos momentos de dificuldade – que certamente vão existir.

Sendo a busca constante pelo prazer uma característica forte da geração z, os pais podem incentivar os meninos e meninas a, ao descobrir seu propósito, comprometer-se a segui-lo com dedicação e persistência. Assim, faz-se necessário desenvolver as habilidades emocionais – chamadas de soft skills –, pois elas serão verdadeiramente determinantes na satisfação profissional e na prosperidade desses futuros adultos.

Veja aqui uma lista de habilidades emocionais que, se bem trabalhadas, podem aumentar o preparo do jovem para a universidade e o mercado de trabalho da contemporaneidade:

  • Organização
  • Planejamento
  • Atitude
  • Comunicação
  • Resolução de conflito
  • Criatividade
  • Pensamento crítico
  • Tomada de decisão
  • Empatia
  • Liderança
  • Motivação
  • Relacionamento interpessoal
  • Paciência
  • Persuasão
  • Positividade
  • Solução de problemas
  • Trabalho em equipe
  • Inteligência emocional
  • Concentração
  • Busca de resultados

Uma atitude que se relaciona a diversas soft skills é a garra. Para se inspirar nessa mudança de mindset, sugerimos que assista à palestra dada por Angela Lee Duckworth em um TED sobre esse assunto: https://www.ted.com/talks/angela_lee_duckworth_grit_the_power_of_passion_and_perseverance?language=pt-br#t-355962

 

Fonte:

“Estudo da Dell Technologies projeta o impacto das novas tecnologias na sociedade até 2030”. Disponível em: https://www.dell.com/learn/br/pt/en/press-releases/2017-07-24-dell-technologies-impact-of-new-technologies-on-society

                      

Marcia Belmiro
Marcia Belmiro

Fundadora e diretora técnica da Rio Coaching. Graduação em Psicologia, Especialização em Recursos Humanos pelo IBRAE – FGV, Personal Life Coaching e Executive Coaching, Master Coach pelo Behavioral Coaching Institute. Certificação nos instrumentos de Assessments DISC, PEAKS, SOAR e Birkman, Certificação em Alfa Assessement Coaching pela Worth Ethic Corporation, MBA em Coaching e Pós graduação em Neurociências pelo IPUB – UFRJ, Formação em Biodança, Sociopsicomotricidade, Teoria Cognitivo-Comportamental e Constelação Familiar. Atuando há 38 anos nas áreas de Educação, Clínica Psicológica, Recursos Humanos e Coaching, formou mais de 3.000 coaches no Brasil e desenvolveu mais de 10.000 líderes. Sólida experiência como Coach de executivos e Mentora de coaches. Mais de 12.000 horas na criação e aplicação de workshops, palestras, cursos de desenvolvimento de líderes, programas motivacionais e transformacionais. Co-autora dos livros “A Bíblia do Coaching” e “O Máximo do Mínimo”. Autora e Coordenadora técnica do livro “Empoderar para Transformar”. Criadora do Método KidCoaching® para crianças e Co-criadora do Método GrowCoaching® para adolescentes.